sábado, 7 de novembro de 2009
Culto Pentecostal de acordo com 1 Coríntios 14
Como pastor, tenho me preocupado com o que tenho visto e ouvido acerca de pseudo-cultos chamados de “Culto de Poder, Culto Alegres, Cultos com mais unção”, as demais formas que tem se estendido pelo Brasil e pelo mundo e até mesmo dentro de nossas igreja ditas BATISTAS ao qual por tradição tem buscado uma interpretação coerente acerca do que diz a Palavra de Deus.
Homens que se dizem pastores, ou até mesmo homens que dizem já conhecer profundamente as escrituras, muitas vezes ordenados por outros que nem mesmo foram testados e aprovados, pelo menos não conforme preceitua as escrituras. Vale salientar que cada denominação, tem via de regra, testar obreiros antes de uma consagração, por entender que a responsabilidade é imensa, através do envio dos mesmos a seminários, a estarem à frente de congregações, passarem pela experiência de conduzir um rebanho, estar debaixo da autoridade de seu pastor e acima de tudo, estar debaixo da autoridade do sumo pastor Jesus Cristo.
Como Batista, defendo que o obreiro precisa passar pelo crivo do estudo, após ter passado pelo crivo do chamado ministerial conforme 1 Timóteo 3.1,7 “1 Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja. 2 É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; 3 não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; 4 que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito; 5 pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?; 6 não neófito, para que não se ensoberbeça e venha a cair na condenação do Diabo. 7 Também é necessário que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em opróbrio, e no laço do Diabo.”), onde isso se faz necessário para que o novel pastor não venha a buscar re-interpretar conforme seu bel prazer ( o que infelizmente mais tem se visto ultimamente ) a Palavra de Deus.
Pessoas sinceras me perguntam, nessa época de confusão doutrinária que antecede o Arrebatamento da Igreja, sobre o “cair no Espírito” e a “unção do riso”, entre outras coisas que vemos nos chamados cultos de poder. Elas desejam aprender a cada dia a sã doutrina. Questionam, não para tentar pôr este expoente em apuros, mas porque querem ter um posicionamento definido, seguro, sobre o assunto.
O motivo da dúvida desses irmãos é compreensível, pois, quando estudamos sobre o avivamento de Azusa Street, em Los Angeles (1906), e acerca do início da Assembléia de Deus no Brasil (1911), são comuns as menções a momentos em que irmãos caíam sob o poder de Deus ou riam sem parar. Mas uma coisa é cair por não suportar a glória de Deus, e outra é ser lançado ao chão por um show-man. Uma coisa é alegrar-se na presença do Senhor, e outra é dar vazão a todo e qualquer tipo de manifestações, e ainda atribuí-las erroneamente ao Espírito Santo.
Ademais, as experiências relacionadas com o Movimento Pentecostal, ainda que envolvam santos como William Seymour e Gunnar Vingren, não devem ser supervalorizadas, a ponto de as equipararmos às incontestáveis verdades da Bíblia ( 1 Co 4.6 “Ora, irmãos, estas coisas eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, de modo que nenhum de vós se ensoberbeça a favor de um contra outro.”; 1 Co 15.1,2 “1 Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, 2 pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão.”). Respeito esses pioneiros do pentecostalismo clássico, porém, ao escrever este artigo, minha fonte — primária, inquestionável, primacial, infalível, inerrante — de autoridade continua sendo a Palavra de Deus.
A Bíblia Sagrada é um livro de princípios, e estes devem ser considerados antes de qualquer análise de manifestações, independentemente das pessoas nelas envolvidas. E há vários princípios relacionados com o culto genuinamente pentecostal em 1 Coríntios 14.
O que diz a Palavra do Senhor em 1 Coríntios 14?
Primeiro: O propósito principal da manifestação multiforme do Espírito em um culto coletivo é a edificação do povo de Deus (vv.4,5,12). Risos intermináveis, várias pessoas praticando a glossolalia ao mesmo tempo e supostas quedas de poder edificam em quê?
Segundo: A faculdade do intelecto não pode ser desprezada no culto em que o Espírito Santo age (vv.15,20). Ninguém genuinamente usado pelo Espírito deixa de raciocinar normalmente, em um culto coletivo a Deus. Isso, claro, segundo a Palavra do Senhor.
Terceiro: Um culto a Deus não deve levar os incrédulos a pensarem que os crentes estão loucos (v.23). O que pensam os não-crentes que assistem a "cultos" disponíveis no YouTube, nos quais vemos pessoas caindo ao chão, rindo sem parar, rosnando, latindo, mugindo, rugindo, uivando e rolando umas sobre as outras?
Quarto: O culto coletivo deve ter ordem e decência; tudo deve ocorrer a seu tempo: louvor, exposição da Palavra, manifestações do Espírito (vv.26-28,40). Um culto que não tem ordem nem decência é dirigido pelo Espírito?
Quinto: No culto genuinamente pentecostal deve haver julgamento, discernimento, a fim de se evitar falsificações (v.29). Leia também 1 Coríntios 2.15 e 1 João 4.1.
Sexto: Haja vista o espírito do profeta estar sujeito ao próprio profeta, como vimos acima, é inadmissível que aconteçam manifestações consideradas do Espírito Santo em que pessoas fiquem fora de si (v.32).
Sétimo: O Deus que se manifesta no culto coletivo não é Deus de confusão, senão de paz (v.33). Quando um show-man derruba pessoas carentes de uma bênção ou os seus supostos opositores com golpes de seu "paletó mágico", além da confusão que se instala no “culto”, tal atitude não é nada pacificadora. E quem recebe a glória, indutivamente, é o próprio show-man.
Oitavo: Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, deve reconhecer os mandamentos do Senhor (v.37). O leitor está disposto a submeter-se aos mandamentos do Senhor? Ou é um daqueles que, irresponsavelmente, dizem: “Não podemos pôr Deus em uma caixinha. Ele sempre faz coisa nova”. Mas, então, para que serve a Bíblia, para nada? Não é ela a nossa fonte máxima de autoridade? Perderam as Escrituras a primazia? Não são mais a nossa regra de fé, de prática e de vida? Gálatas 1.8 perdeu a validade?
Diante desses princípios, não há como considerar o “cair no Espírito” “o si-ira,si-ira” em demasia distribuição coletiva e a “unção do riso” como manifestações genuinamente do Espírito Santo!
Não nos enganemos. O verdadeiro avivamento só ocorre quando há submissão à Palavra de Deus e ao Deus da Palavra.
Em Cristo Jesus,
Pr José Renildo
PIB de Conceição do Jacuípe - Ba
OPBB-Ba: 0469
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