sábado, 27 de fevereiro de 2010

Estou cansado!

Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto. Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes. Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não aguento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas. Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não aguento mais cultos de amarrar demónios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo. Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças. Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais. Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem. Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens electrónicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupunctura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor. Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não aguento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adoptado no Brasil. Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a plateia, uma assembleia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da actual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza. Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente. Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei das vaidades académicas e dos mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo. Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração. Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos prelectores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos. Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai. Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa. Soli Deo Gloria.
Faço das palavras do Pr Ricardo Gondim as minhas palavras.
Pr José Renildo

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pregando ou Cantando ? Eis a questão.

Pregando ou cantando, qual mensagem nos exortaria? Quantos estão nas igrejas de uma maneira equivocada? Querem cantar por cantar, qualquer coisa serviria. Base Bíblica não precisa, só precisa ter melodia. Assim menosprezada a Pura, Santa e Boa Lei, Sei que vivemos na Graça, mas hoje em dia cantar, Quase não tem mais Graça, só se vê desgraça, Pois do servo nem se fala, quero é ser filho do Rei, O serviço é pro menor, importante quero ser. Busca-se alegrias, felicidades e vãos amores, Na busca, não se encontra algo que verdadeiramente preencha, Mais vazio, se esvazindo, enche-se cada vez mais de dores, Na busca do encontro, se desencontra cada vez mais, Enquanto não se ouve a pura e simples verdade, Muitos se enganam na busca da verdade, Acreditando se melhor, o caminho largo da iniquidade, Errando o caminho e perdendo a salvação através da falsa verdade. Quem do amor eterno pode retransmitir? Levando a Palavra autêntica da verdade, Se não aqueles que um dia encontraram, A Cristo autor dessa verdade. Pr José Renildo - 16.02.2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

"Oração do Senhor" - Mateus 6.9-13 - Parte 1

Um artista, ao tentar retratar com pincel as cataratas do Niágara, que há na fronteira dos estados de Nova Iorque (E.U.A), com o Canadá, e que se assemelha um tanto às cataratas do Iguaçu, ainda que um pouco menores do que estas, segundo se conta, jogou fora o seu pincel, na mais total frustação. Quem pode retratar algo tão grande, com algumas poucas pinceladas em uma tela? Assim são todas as tentativas para se tecer comentários sobre essa grande oração de Jesus.
A oração, ao qual o prórpio Jesus ensinara, não foi dada para ser usada como liturgia, mas para ilustrar o simples caminho pelo gual nós devemos nos aproximar de Deus, em contraste com a vãs repetições pagãs.
As petições, sete, refletem as necessidades básicas dos homens, quer espirituais ou físicas: 1) Santificado seja o teu nome: a alma se eleva à presença de Deus, reconhece que Deus é santo, e isto é o alicerce da oração e de nossas relações com Deus. 2) Venha o teu reino: desejo de aplicação universal dos atributos e poderes de Deus. 3) Assim na terra: aplicação direta da influência divina sobre a terra, aplicação essa pessoal aqui onde habitamos. 4) Dá-nos pão: o discípulo do reino tem necessidades físicas. Deus se interessa por essas coisas também. 5) Perdoa os nossos pecados: nesse mundo topamos com vários obstáculos, principalmente com a nossa natureza. Para que obtenhamos a condição de espititualidade e sintamos a presença de Deus em nossas vidas, precisamos remover os obstáculos que nos distanciam de Deus. 6) Não nos deixe cair: a vitória sobre o mundo é algo necessário para aquele que anda no caminho de Deus. 7) Livra-nos do mal: concede-nos, finalmente, a vitória completa nessa esfera.
A oração de Jesus segue a forma geral do Decálogo, (que significa - Dez Palavras - Ex 34.28, ou mais conhecidamente, OS DEZ MANDAMENTOS). Há duas divisões principais. 1) As três primeiras - petições que se relacionam diretamente com Deus; 2) As outras quatro - se relacionam com os nossos semelhantes.
Continua ....

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A Igreja de Deus - Parte 01

I Coríntios 1.1-9 "1 Paulo, chamado para ser apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, 2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:3 Graça seja convosco, e paz, da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4 Sempre dou graças a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus; 5 porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo o conhecimento, 6 assim como o testemunho de Cristo foi confirmado entre vós;7 de maneira que nenhum dom vos falta, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 9 Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor." Paulo escreveu sua carta à Igreja de Deus que está em Corínto.(v.2). Mas estava a igreja somente em Conrinto? Era somente nessa cidade que estava localizada a igreja de Deus e em nenhuma outra? Claro que não! A igreja em Corinto era apenas uma parte da igreja de Cristo. A igreja existe onde quer que haja pessoas que crêem que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. A igreja é chamado por muitos nomes. Alguns desses nomes assumem caracteristicas geográficas, nacionais ou mesmo denominacionais. Mas havendo tantas igrejas e tantos nomes e placas; como é possível que todos os povos e organizações sejam chamados de a "Igreja"? Como podem ser uma só igreja se elas se encontram em tantos lugares diferentes e usam tantos nomes diferentes? A resposta é que a unidade da Igreja de Jesus é espiritual. Qualquer pessoa pode se tornar membro da igreja pelo fato de crer em seu coração que Jesus é o Cristo e confessar com sua boca que Ele ressuscitou dentre os mortos (Romanos 10.9-10). Um crente é crente, não importa onde viva ou a que organização ou país pertança. "Pertencer" à Igreja significa pertencer a Jesus Cristo. Continua.....

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

NO PAÍS DO G12 IGREJAS EM CRISE

NO PAÍS DO G12 IGREJAS EM CRISE Na Colômbia, país que nasceu o G12, igrejas se tornam sinagogas Por: Redação Creio Na Colômbia nasceu um dos maiores movimentos que, de fato, impactaram o mundo na última década. O G12, movimento de igrejas em células no modelo dos 12, foi liderado pelo apóstolo César Castellanos, fundador da Missão Carismática Internacional (MCI), em Santa Fé de Bogotá. Mas é deste próprio país que surge um movimento contraditório. Na Colômbia, segundo mostrou a rede de TV Caracol, sete igrejas evangélicas se tornaram sinagogas "assumindo" a fé judaica, inclusive negando a Jesus como Messias. A notícia foi dada pelo portal Creio A reportagem exibida pela Rede Caracol considera esse o novo fenômeno religioso do país. Existem ainda dezenas de comunidades evangélicas que vivem uma fé híbrida, com elementos judaicos incorporados ao culto e à vida cotidiana. Elad Villegas, líder da Comunidade da Antioquia, durante anos foi líder da Igreja da Família. A ‘conversão’ aconteceu há cinco anos quando a direção começou a questionar se Jesus foi o messias. Fonte: http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=7535 Interessante! Tanto se buscavam formulas miraculosas para o enchimento das igrejas que hoje se vê a Lei voltando a ter destaque sobre a Graça. A melhor maneira de manter viva a chama da palavra de Deus e de seu avivamento, é viver uma vida debaixo da Graça e buscando a cada dia conhecer, fazer e viver a vontade de Deus através de sua palavra. Deixemos os movimentos e vivamos em verdadeira novidade de vida. Pr José Renildo