domingo, 16 de maio de 2010

A Educação dos Meus Filhos

À influência intencional e sistemática sobre o ser juvenil, com o propósito de formá-lo e desenvolvê-lo, denominamos educação. Ela é parte integrante essencial da vida do homem e da sociedade e existe desde quando há seres humanos sobre a terra. A educação cristã tem por objetivo proporcionar ao educando não apenas a obtenção de conhecimentos variados uns dos outros e da sua própria constituição física e moral, mas também conceder uma visão integrada e coerente de vida, relacionada com o Criador e com os Seus propósitos. Isto só será uma realidade se as mentes forem formadas pelos ensinos das Santas Escrituras, ou seja, em que os preceitos do Senhor sejam a base para a educação. É o temor do Senhor o princípio da sabedoria!

O presente artigo reproduz, na verdade, o conteúdo de dois folhetos anteriormente publicados pela Editora Fiel. Eles se apresentam na forma de duas importantes perguntas no tocante à educação dos filhos. A primeira parte, procura responder a pergunta .quem é responsável pela educação de meus filhos?. e foi originalmente escrita pelo Dr. Paulo César Moraes de Oliveira. A segunda parte reúne diversos argumentos em resposta à pergunta .Por que a escola evangélica?.

Nosso objetivo em trazer novamente à lume estes dois singelos textos é que possamos examinar as nossas responsabilidades como crentes e fazer muito mais do que temos feito no sentido de promover os princípios bíblicos na educação dos filhos, e fomentar a promoção e disseminação da verdadeira educação cristã.

I - QUEM É RESPONSÁVEL PELA EDUCAÇÃO DE MEUS FILHOS?

A educação e a formação acadêmica tornaram-se uma constante preocupação de pais, em sua luta por garantir aos filhos um lugar adequado na sociedade. Diante de uma variedade de filosofias educacionais, os pais se vêem muitas vezes confusos em relação ao melhor caminho a seguir. Fortes correntes educacionais têm criado grande impacto não somente nas salas de aula, mas também em muitos lares conscientes de que a educação familiar é o alicerce para o desenvolvimento acadêmico da criança. Embora a discussão destas filosofias educacionais vá além dos limites deste artigo, cabe mencionar que a filosofia humanista, que considera o homem o centro do universo e deriva toda sua temática do pensamento humano, tornou-se a base dos diversos movimentos educacionais que vêm ganhando ímpeto neste século.

Entretanto, para os pais que têm suas vidas governadas pelos princípios das Escrituras Sagradas, a filosofia educacional a ser seguida é clara: .E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. (Efésios 6.4).

Neste texto, o verbo criar (no grego) se refere a cuidar e nutrir com um foco específico na criação de filhos. Este cuidar compreende a educação desde a infância até à maturidade, isto é, o completo desenvolvimento do ser humano, abrangendo todas as dimensões de sua pessoa. Lucas refere-se a estas dimensões em relação ao desenvolvimento do Senhor Jesus Cristo nestes termos: E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens. (Lucas 2.52).

Verificamos que Jesus se desenvolvia intelectualmente (em sabedoria), fisicamente (em estatura), espiritualmente (em graça diante de Deus) e socialmente (em graça diante dos homens). São estas as quatro áreas específicas a serem focalizadas no processo de criação dos filhos. O desenvolvimento sadio, consistente e equilibrado de uma criança não será completo, se uma destas áreas for negligenciada. Cultivar estas áreas de crescimento na vida dos filhos é levá-los a atingir a maturidade, a ponto de se tornarem obreiros aprovados, capacitados a fazer a vontade de Deus e, assim, glorificá-Lo.

O princípio vital para que a criação de filhos se realize biblicamente é que a desafiadora e importante tarefa de criar os filhos é responsabilidade exclusiva dos pais. A ninguém será pedido contas a respeito da criação de filhos exceto aos pais, a quem Deus explicitamente ordenou que criassem e se responsabilizassem pelo desenvolvimento de seus filhos.

Embora outros venham a influenciar o seu desenvolvimento, cabe aos pais filtrar esse fluxo de influências, pois o processo de criação como um todo é responsabilidade exclusiva deles. Essa tarefa, ordenada por Deus, é grandiosa e difícil, porém perfeitamente viável, pois Aquele que a ordenou também fornece os meios com os quais realizá-la. Deus não somente ordena que criemos nossos filhos, mas também que o façamos na disciplina e admoestação do Senhor.

Nosso segundo princípio é que a criação dos filhos em sua totalidade deve ser de acordo com a Palavra de Deus, sendo o objetivo maior que a criança seja transformada segundo a imagem de Cristo e chegue à sua estatura. No decorrer desta criação almeja-se que a criança se desenvolva com uma perspectiva bíblica que abranja todas as áreas de sua vida.

Deus e seus princípios não devem ser somente uma área a mais no desenvolver da criança, mas a base através da qual tudo deve ser visto e avaliado. Isso implica que, ao longo do processo educacional, tanto o ensino de preceitos morais quanto de História, Matemática, Estudos Sociais e demais matérias devem ser efetuados de uma perspectiva bíblica. Só assim a criança obterá uma compreensão completa e coerente da interação entre Deus, o homem e o universo. É apto para essa tarefa somente o educador cristão com um ponto de referência absoluto para distinguir o certo e o errado, a percepção correta da depravação total do homem e da soberania de Deus.

Assim, cada aspecto da criação dos filhos tem de ser arraigado em princípios bíblicos para que frutifique em louvor e glória Àquele que criou todas as coisas. Esta é a maneira ordenada por Deus para a criação de filhos e que se distingue claramente dos padrões seculares. Muitos lares cristãos aderem a uma mistura de padrões seculares com verdades bíblicas, na esperança de que estas prevaleçam; contudo, o modo de educar ordenado por Deus é claro, e sua adulteração, por mínima que seja, compromete os resultados.

Considerando esses dois princípios . os pais são responsáveis pela educação de seus filhos até a sua maturidade, e esta educação tem de ser de acordo com a Palavra . podemos concluir que qualquer pessoa ou entidade que colabore na criação e educação de filhos deva fazê-lo conforme a instrução dada aos pais, isto é, na disciplina e admoestação do Senhor.

Assim sendo, perguntemo-nos: estarão nossos filhos sendo ensinados por educadores que possuem o mesmo objetivo que o nosso, isto é, transformá-los segundo a imagem de Cristo? Há consistência entre aquilo que ensinamos a nossos filhos e o que eles estão aprendendo na sala de aula? Existe entre nosso lar e a escola uma disputa de interesses, princípios e objetivos? É sempre Cristo o centro na criação dos nossos filhos? Estarão nossos filhos aprendendo que só existe um Deus que nos ensina como avaliar todas as coisas ou estarão aprendendo que existem várias alternativas dentre as quais podem livremente escolher? Sem dúvida, tal inconsistência causa enormes danos em muitos lares cristãos onde o maior perdedor será nosso filho, que se vê em conflito diante de objetivos antagônicos. Crianças estão convivendo com essa duplicidade de enfoque que os enfraquece e os limita em um desenvolvimento completo, coerente e que glorifica a Deus.

II - POR QUE A ESCOLA EVANGÉLICA?

Jesus Cristo deve receber a preeminência em todas as coisas, inclusive, necessariamente, na educação dos estudantes.

PORQUE Jesus Cristo é a chave da educação, visto que nEle estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.

PORQUE a educação deve ser Cristocêntrica, porquanto educação que omite Deus, ou que não lhe confere o merecido lugar, não O honra.

PORQUE uma escola genuinamente evangélica fornece uma sã educação acadêmica, integrada com a Palavra de Deus, onde o propósito mais elevado da vida é a honra e glória do Senhor. As escolas seculares, por outro lado, não ensinam um sistema de valores coerente com a Bíblia.

PORQUE é a Bíblia que fornece uma perspectiva verdadeira que deve moldar o estilo de vida do estudante, bem como seus conceitos sobre Deus, o homem e o mundo.

PORQUE existem muitas diferentes filosofias de vida, mas somente o cristianismo é a verdadeira filosofia, porquanto Deus ordenou que todo o pensamento seja cativo à obediência a Jesus Cristo.

PORQUE a filosofia de vida cristã e a filosofia de vida secular estão em conflito uma com a outra, sendo impossível harmonizá-las entre si. PORQUE uma escola secular não encoraja, nem mesmo pode encorajar um estudante a amar ao Senhor de toda a sua mente.

PORQUE o temor ao Senhor, que é o princípio da sabedoria e do conhecimento, não é ensinado nas escolas seculares, mas, antes, é cuidadosamente rejeitado.

PORQUE Satanás, que é o enganador, um mentiroso voluntário, o príncipe deste mundo maligno, controla a educação secular, utilizando-a como uma das principais armas contra as verdades do cristianismo.

PORQUE a educação secular está alicerçada exclusivamente sobre a razão humana, ao passo que a educação evangélica está baseada sobre a revelação divina.

PORQUE as escolas seculares não ensinam a depravação da natureza humana, mas, antes, educam os estudantes com base no conceito de que o homem é um ser bom por natureza.

PORQUE a teoria da evolução é uma mentira, e nenhum sistema educacional baseado nela pode primar pela verdade.

PORQUE não existe tal coisa como temas seculares, visto que toda a verdade deriva-se de Deus.

PORQUE os seríssimos problemas das drogas, da imoralidade, do desrespeito às autoridades, da ausência de disciplina pessoal e dos baixos níveis acadêmicos estão em ascensão na maioria das escolas seculares, e essas escolas não sabem como solucionar tais problemas.

PORQUE uma escola genuinamente evangélica ensina os estudantes a respeitarem os líderes do governo, em posição de autoridade. Essa atitude enfatiza a relação que existe entre o respeito e a obediência às pessoas investidas em posições de autoridade e o respeito e a obediência a Deus.

PORQUE os padrões de moralidade devem alicerçar-se somente sobre a Bíblia e não sobre situações éticas como as escolas seculares ensinam.

PORQUE as atividades das escolas seculares pertencem exclusivamente a este mundo, excluindo Deus e os seus caminhos.

PORQUE os alunos de uma escola evangélica são ensinados a perceberem a relação que há entre a Bíblia e a totalidade da vida e do processo de aprendizado.

PORQUE uma escola genuinamente evangélica ensina aos estudantes que todas as suas aptidões derivam se de Deus, devendo serem usadas tendo em vista a honra do Senhor.

PORQUE não há tempo, nem condições suficientes, quer no culto doméstico, quer nas igrejas, para combater todas as influências adversas de uma educação secular.

PORQUE não existe professor escolar totalmente neutro, que não promova nem iniba as questões religiosas, porquanto, ainda que indiretamente, de alguma maneira, sua posição é comunicada aos estudantes.

PORQUE a maneira de pensar do professor tem sido distorcida pelo pecado, e, a menos que se trate de uma pessoa regenerada, a sua compreensão sobre o verdadeiro significado dos fatos está distorcida, pois sua mente se acha em trevas.

PORQUE os professores de uma escola genuinamente evangélica dedicam tempo para ajudarem os seus alunos, interessando-se por eles e aconselhando-os de uma maneira sempre coerente com o ponto de vista cristão a respeito da vida.

PORQUE os filhos são primariamente responsabilidade dos pais e não do Estado, portanto compete aos pais considerar a obrigação de oferecer uma educação cristã a seus filhos.

DAÍ a necessidade de uma escola evangélica.

Se acreditamos nestas afirmações, devemos orar por mais escolas genuinamente evangélicas no Brasil, sobretudo por uma UNIVERSIDADE EVANGÉLICA, que vivam estas afirmações.

Forte abraço,

Pr José Renildo

Itaberaba-Ba

O Gozo de Saber que Deus é Deus

O esforço humano nunca pode impressionar um Deus onipotente, e a grandeza dos homens jamais pode impressionar um Deus de grandeza infinita. Isto é má notícia para aqueles que competem com Deus, mas boa notícia para aqueles que querem viver pela fé.
O Salmo 147 é uma emocionante declaração de esperança para um povo que desfruta do gozo e certeza de que Deus é Deus. O salmista afirma: “Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome” (v. 4). Ora, isto é mais do que podemos apreender! “Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir” (Sl 139.6).
A Terra, onde vivemos, é um pequeno planeta que gira em torno de uma estrela chamada Sol, que tem o volume um milhão e trezentas vezes maior do que o da Terra. Existem estrelas milhões de vezes mais luminosas do que o Sol. Existem aproximadamente cem bilhões de estrelas em nossa galáxia, a Via Láctea, que tem cem mil anos-luz de extensão. (Um ano-luz equivale a 299.792.458 km/s.) O Sol viaja a 249 km/s, e, por isso, seriam necessários, duzentos milhões de anos para que o sol cumprisse apenas uma órbita em volta da Via Láctea. Existem milhões de outras galáxias além da nossa.
Agora, ouça novamente: o Salmo 147 afirma que Deus conta o número de todas as estrelas. Não somente isso, afirma também que Ele as chama pelo nome que lhes deu, tal como se faz a animais de estimação. Você os olha, observa suas características e chama-os por algum nome que se enquadre nas diferenças. Quando cantamos o hino “Let All Things Now Living”, de Katherine Davis, eu sorrio com grande satisfação quando chego às palavras:
Ele estabelece a sua lei:
As estrelas, em seus cursos,
O Sol, em sua órbita,
Resplandecem obedientemente.
Sim, eu penso, “obedientemente” é a palavra correta! O sol tem um nome na mente de Deus. Ele chama o sol por seu nome, diz a ele o que fazer e ele obedece. E assim o fazem trilhões de estrelas. (Assim como todos os elétrons, em todas as moléculas dos elementos das estrelas e dos planetas, incluindo os elementos que se encontram nas guelras de um tubarão que vive embaixo das rochas, na costa da ilha de Rhode.)
Ora, o que impressionaria um Deus como este? Salmo 147.10-11 nos mostra com clareza:
Não faz caso da força do cavalo, nem se compraz nos músculos do guerreiro. Agrada-se o Senhor dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia.
Imagine um levantador de peso, nas Olimpíadas, que se orgulha de haver levantado duzentos e vinte e cinco quilos. Ou imagine algum cientista se orgulhando de que descobriu como uma molécula é afetada por outra. Não precisamos ser gênios para saber que Deus não se deixa impressionar por essas coisas.
As boas-novas para aqueles que desfrutam do gozo de saber que Deus é Deus é que Ele tem prazer nessas pessoas. Deus se agrada daqueles que esperam no imensurável poder dEle. Não é uma coincidência literária o fato de que os versículos referentes a outro aspecto da grandeza de Deus (nos versículos 4 e 5), mostram-No cuidando do fraco (vv. 3 e 6):
3 sara os de coração quebrantado
e lhes pensa as feridas.
4 Conta o número das estrelas,
chamando-as todas pelo seu nome.
5 Grande é o Senhor nosso e mui poderoso;
o seu entendimento não se pode medir.
6 O Senhor ampara os humildes
e dá com os ímpios em terra.
Oh! que prenda a nossa atenção a verdade de que Deus é Deus e trabalha onipotentemente em favor daqueles que esperam nEle (Is 64.4), bem como na sua misericórdia (Sl 147.11) e O amam (Rm 8.28). Ele ama ser Deus para os fracos e desamparados, que O buscam para tudo o que necessitam. Forte abraço a todos, Pr José Renildo Itaberaba - Ba

Calvino como Pastor, Evangelista e Missionário

Calvino como Pastor, Evangelista e Missionário

Muitos conhecem a acusação de que os calvinistas se preocupam somente com doutrina e são indiferentes à evangelização e missões. Além disso, o calvinismo é acusado de ser contraproducente em relação ao empreendimento de evangelização e missões. Isso é errado não somente no que diz respeito à história, conforme revela um exame da lista de grandes pastores-evangelistas e missionários que eram declaradamente calvinistas (ou seja, George Whitefield, Charles H. Spurgeon, William Carey, David Brainerd, Jonathan Edwards, etc.), mas também no que diz respeito ao próprio Calvino.
A paixão de Calvino como pastor-evangelista se revelou de várias maneiras. Calvino evangelizava persistentemente as crianças de Genebra, por meio de aulas de catecismo e da Academia de Genebra. Além disso, ele treinava pregadores a rogarem aos homens e mulheres que seguissem a Cristo. A visitação na enfermidade prescrevia uma conversa evangelística. Até uma análise superficial dos sermões de Calvino mostra de imediato um zelo permanente para que homens e mulheres fossem convertidos a Cristo.
E o que podemos dizer sobre missões? O Registro da Venerável Companhia de Pastores relata que 88 missionários foram enviados de Genebra. De fato, houve mais do que cem, e muitos deles foram treinados diretamente por Calvino.
Contudo, missões foram realizadas em um nível mais informal. Genebra se tornou o imã de crentes perseguidos, e muitos desses imigrantes foram discipulados e retornaram ao seu país como missionários e evangelistas eficazes.
Quando se acalmaram os tempos turbulentos no ministério pastoral de Calvino, surgiu a oportunidade para expansão missionária intencional e implantação de igrejas. A bênção de Deus sobre os esforços missionários de Calvino e das igrejas de Genebra, de 1555 a 1562, foi extraordinária — mais de 200 igrejas secretas foram implantadas na França por volta de 1560. Até 1562, o número crescera para 2.150, produzindo mais de 3.000.000 de membros. Algumas dessas igrejas tinham congregações que totalizavam milhares de membros. O pastor de Montpelier informou a Calvino, numa carta, que “nossa igreja, graças a Deus, tem crescido, e continua a crescer tanto a cada dia, que pregamos três sermões aos domingos para mais de cinco ou seis mil pessoas”.
Outra carta, do pastor de Toulouse, declarava: “Nossa igreja continua crescendo até ao admirável número de oito ou nove mil almas”. A amada França de João Calvino, por meio de seu ministério, foi invadida por mais de 1.300 missionários treinados em Genebra. Esse esforço, conjugado com o apoio de Calvino aos valdenses, produziu a Igreja Huguenote Francesa que quase triunfou sobre a Contra-Reforma católica na França.
Calvino não evangelizou e implantou igrejas somente na França.
Os missionários treinados por ele estabeleceram igrejas na Itália, Holanda, Hungria, Polônia, Alemanha, Inglaterra, Escócia e nos estados independentes da Renânia. Ainda mais admirável foi uma iniciativa que enviou missionários ao Brasil.
O compromisso de Calvino com a evangelização e missões não era teórico, mas, como em todas as outras áreas de sua vida e ministério, era uma questão de atividade zelosa e compromisso fervoroso. Forte abraço a todos, Pr José Renildo Itaberaba - Ba

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Desempenhando o Seu Papel

Desempenhando o Seu Papel

Gene Edward Veith

O Dr. Gene Edward Veith é o deão acadêmico da faculdade Patrick Henry, no estado da Virginia, EUA, e diretor do Instituto Cranach no Seminário Teológico de Concórida, em St. Louis, Missouri.

Como já vimos, a palavra hipocrisia deriva-se do vocábulo grego que expressa a idéia de "desempenhar um papel". A palavra comum que descrevia um ator no palco era a palavra hipócrita. Nas tragédias de Sófocles ou nas comédias de Aristófanes, os atores – os hipócritas – desempenhavam seus diferentes papeis usando máscaras. A transgressão moral da hipocrisia também envolve desempenhar um papel e vestir uma máscara. Mas existe ocasiões em que Deus nos chama a cumprir um papel.

A cultura contemporânea tolera quase todo tipo de comportamento, exceto a hipocrisia. Nossa sociedade não tem problemas com alguém que é homossexual ou usa a pornografia. Mas se um ativista contra a legalização do casamento gay é descoberto na homossexualidade, ou se um pastor que prega contra a pornografia é achado com pornografia em seu computador, toda zombaria, indignação e desaprovação social cai sobre ele. Não por causa do seus erros, mas porque ele se opunha aos erros que ele mesmo tem; por vestir uma máscara de virtude quando ele mesmo não é virtuoso; por ser um hipócrita.

Os cristãos precisam esperar esse tratamento. A hipocrisia é certamente errada. Mas a incoerência entre o crer e o comportamento não é, sempre, hipocrisia. Ninguém odeia mais o pecado do que aquele que está lutando sinceramente contra o pecado em sua própria vida.

Muitos fariseus na época do Novo Testamento e dos legalistas de nossos dias consideram-se tão boas pessoas que julgam não necessitarem do perdão de Deus. Mas eles precisam realmente. Cristãos que são honestos consigo mesmos e com Deus – que, não levando em conta os seus pecados – podem ser chamados a "desempenhar um papel".

Deus redime pessoas por meio de Cristo e, depois, chama-as a viver sua fé em suas profissões. Ele chama os cristãos a amar e servir o seu próximo em suas múltiplas vocações, que são as arenas de santificação e crescimento espiritual.

Na vocação, Deus coloca-nos em certos "ofícios", em alguns dos quais compartilhamos de sua autoridade. Algumas desses ofícios exigem que "desempenhemos um papel", incluindo vestir uma máscara. Isso é expresso no costume antigo de que certas vocação são caracterizada com roupa especial. Como um cidadão normal, um juiz não tem mais direito do que qualquer outra pessoa de mandar alguém para a cadeia. Mas, quando ele veste a sua "toga de ofício", está agindo em sua capacidade oficial como um agente da lei e, de acordo com Romanos 13, ele tem realmente autoridade para punir criminosos em favor do estado como um todo.

Em muitas igrejas, o pastor veste alguma tipo de toga, significando que, quando ele está no púlpito, nós, que estamos nos bancos, não devemos considerá-lo nosso bom amigo e companheiro de pescaria, embora ele posa ser isso. Quando ele está agindo em seu ofício, está ensinando não a sua palavra, mas a de Deus, que ele estudou e está autorizado a pregar.

Houve um estudo de pacientes que foram atendidos por um médico que usava jeans e camiseta de mangas curtas, em vez de seu tradicional jaleco branco. Os pacientes rejeitaram de modo geral! Nenhum deles queria um médico que parecia um homem comum da rua para lhes ministrar avaliação clínica. O jaleco branco é um símbolo de vocação, o qual o médico está autorizado a usar por virtude de sua vocação, seu treinamento, seu ofício.

Essa é a razão por que os policiais vestem uniformes. É também a razão por que há padrões diferentes na Convenção de Genebra quantos aos soldados que usam uniformes em seus países – e isso se relaciona à cadeia legítima de comendo que retrocede a autoridade dos magistrados, descrita em Romanos 13. O mesmo se aplica aos combatentes como os terroristas que lutam com base em sua própria autoridade e não usam qualquer uniforme.

Às vezes, os deveres de nossa vocação – e nem todas as vocações demandam uniformes – exigem que desempenhemos uma função, ainda que isso vá contra a nossa natureza. Um pai tem de disciplinar seu filho. Talvez ele não queira. Pode até sentir-se em conflito porque ele cometia o mesmo erro que está corrigindo, quando era criança. Um pai que fumava maconha em sua adolescência não está sendo hipócrita quando pune seu filho adolescente por usar drogas. Está cumprindo a sua função como pai.

Contra as suas inclinações, mas cumprindo os deveres de suas funções, às vezes os professores têm de dar notas baixa; os patrões, despedir empregados incompetentes; os pastores, exercer disciplina até contra uma bom amigo. Um jovem recém-formado na academia militar tem de assumir autoridade sobre uma companhia de combatentes veteranos que são mais velhos do que ele. Ele pode ficar nervoso e sentir-se fora de lugar, mas ele veste a máscara de comando e ordena as seus subalternos que prestem atenção. Os cônjuges podem não sentir-se sempre maridos ou esposas amáveis, mas, ao "desempenhar o seu papel", eles cumprem sua vocação e a vontade de Deus para seu casamento.

Se a vocação exige que vistamos máscaras, devemos lembrar que Lutero ensinava que aqueles que amam e servem a seu próximo, em sua profissão, são eles mesmos "máscaras de Deus". Avultando-se por trás do fazendeiro, do médico, do soldado, do pastor e dos pais, está o próprio Deus, provendo diariamente pão cotidiano, curando, protegendo, ministrando e dando vida.

Os papéis que desempenhamos podem ser, de fato, hipócritas. Mas, quando Deus nos pede que o desempenhemos, ele o está fazendo por meio de nós.

Forte abraço a todos.

Pr José Renildo