sábado, 21 de novembro de 2009

A unção com óleo

Há muitos desvios praticados no pseudocristianismo da atualidade. Um deles é a unção de pessoas com óleo com os mais diversos objetivos, principalmente o de curar ou conceder algum tipo de poder espiritual. Praticantes e defensores do costume insistem em dizer que há passagens bíblicas que ensinam unção com óleo e que há pelo menos uma (Tiago 5.14) que ensina a ungir os enfermos com óleo com a finalidade de cura milagrosa. Nosso propósito neste breve estudo é verificar se realmente existe alguma autenticidade em tais afirmações, se há, de fato, algum respaldo bíblico para esse comportamento. I. A ORIGEM DA UNÇÃO COM ÓLEO NO POVO DE DEUS Em Êxodo 30.22-33 observamos que Deus estava estabelecendo as primeiras diretrizes para o seu povo que libertara do cativeiro no Egito e que colocara em uma peregrinação em direção à terra prometida. Estava estabelecendo mandamentos concernentes ao culto de um modo geral; o local onde seriam realizados os cultos e os comportamentos com respeito ao culto. Dentre os mandamentos estava o de que fosse preparado um óleo que foi chamado de óleo sagrado da unção. Era um preparado específico que tinha uma fórmula específica ditada pelo próprio Deus a Moisés e não era, de maneira alguma, somente o óleo da oliveira ou azeite. Era, também, uma fórmula que não poderia ser copiada por ninguém sob pena de ser banido do povo de Deus. O óleo da unção tinha objetivo definido e era o de santificar os elementos do culto, se consagrá-los completamente para Deus. Por isso, após a sua preparação, deveria ser aspergido sobre o tabernáculo, sobre os móveis, sobre o altar e sobre os sacerdotes. Tudo deveria ser santificado através da aspersão do óleo da unção. Mas havia uma proibição: o óleo da unção não poderia, de maneira nenhuma, ser aplicado sobre o corpo de alguém e somente os sacerdotes poderiam ser ungidos com o óleo. II. O SIGNIFICADO DA UNÇÃO COM ÓLEO NO ANTIGO TESTAMENTO Tudo no Antigo Testamento era simbólico e provisório. A caminhada pelo deserto, o tabernáculo, o altar, o animal sacrificado, os sacerdotes. Tudo figurava as realidades definitivas que seriam estabelecidas por Jesus no Novo Testamento, quando, então, envelheceria o Antigo Testamento. A unção com óleo sagrado também era simbólica e provisória. O óleo seria preparado por Moisés, o libertador e seria derramado sobre os elementos do culto, que também era provisório e simbólico. O tabernáculo e a arca significavam a presença de Deus e o sacerdote era o mediador entre Deus e os homens, santificado para isso. Os textos do Antigo Testamento que fazem referência à preparação e utilização do óleo sagrado da unção são muito definidos. No hebraico são utilizadas as palavras shemen (óleo), qodesh (separado para Deus, sagrado), e mishchah (consagração, unção para consagrar). A utilização dessas expressões aponta claramente para o fato de que a unção com o óleo sagrado significava que objetos, lugares e pessoas estavam sendo especialmente consagrados a Deus, separados em santificação para ele. Não existia qualquer significado de cura ou de atribuição de poder. Só havia este significado quando a unção era realizada com o óleo preparado por Moisés de acordo com a fórmula e critérios estabelecidos por Deus. Quem se utilizasse do óleo de maneira diferente ou para ungir qualquer pessoa era banido do povo de Deus. Há quem diga que o óleo significa a presença do Espírito Santo, no entanto não encontramos tal ensinamento ou afirmativa nas Escrituras. III. O SIGNIFICADO DA UNÇÃO COM ÓLEO NO NOVO TESTAMENTO Existem alguns textos no Novo Testamento que fazem referência a algum tipo de unção com óleo e através da análise desses textos podemos ter uma visão do significado dessa prática no Novo Testamento. Primeiramente precisamos observar que em quase todos estes textos a palavra grega utilizada que é traduzida por óleo é elaion que designava o óleo de oliva, ou seja, todos eles fazem referência a uma aplicação de óleo de oliva, de azeite que era utilizado para combustível de lâmpadas, para cura de doentes, para ungir a cabeça e o corpo em festas e como artigo de cozinha. Não há qualquer referência à aplicação de óleo sagrado da unção, a não ser em Hebreus 1.9 onde o escritor sacro faz referência ao Antigo Testamento, à unção do Messias, utilizando a palavra elaion juntamente com a palavra crio que era utilizada para fazer referência à unção para consagração. Em todos os outros textos a palavra que é traduzida por ungir é aleipho que era utilizada para todo tipo de aplicação de óleo sobre o corpo. Dicionaristas indicam que aleipho era a palavra secular para ungir e que chrio era a palavra sagrada ungir com a finalidade de consagração. Depois, analisando cada texto à luz do significado da palavra elaion podemos compreendê-los e compreender o significado da utilização do azeite de oliva no Novo Testamento. Em Marcos 6.13 observamos que o azeite era aplicado para a cura dos enfermos como medicamento. É o mesmo sentido em Lucas 10.34 que faz referência ao tratamento dos ferimentos do judeu pelo bom samaritano, e é o mesmo sentido em Tiago 5.14 onde há o conselho para que o enfermo seja medicado em nome do Senhor. Em Lucas 7.46 Jesus estava repreendendo o judeu que o recebera em uma reunião festiva e não ungira a sua cabeça com azeite em sinal de amizade e boas vindas como era costume. Quanto ao texto de Tiago 5.14 não há que se estranhar que seja ensinada a aplicação de medicamento em nome do Senhor, acompanhada de oração. No Antigo Testamento há o exemplo de cura de Ezequias, da parte de Deus, através da aplicação de medicamento que foi mandado preparar pelo profeta Isaías (2Reis 20.1-7). Entendemos que no Novo Testamento não há a unção com óleo com a mesma finalidade que havia no Antigo Testamento. Não existe óleo da unção no Novo Testamento porque a fórmula feita por Moisés não poderia ser copiada e porque não existem os elementos de culto do Antigo Testamento no Novo Testamento. Não existe Tabernáculo, não existe altar, não existe arca, não existe sacerdote. Não existe nada disso para ser consagrado. O ungido de Deus já veio e todos os servos de Deus são consagrados através dEle. O culto não depende de lugares consagrados, nem de objetos consagrados, nem de sacerdotes. No Novo Testamento só encontramos unção com óleo com a finalidade de aplicação de medicamento. IV. A PRÁTICA RELIGIOSA DA UNÇÃO COM ÓLEO NAS IGREJAS DE NOSSO TEMPO Se não existe na Bíblia o chamado "óleo ungido", se não há na Bíblia a aplicação do óleo da unção para cura milagrosa ou para aquisição de poder espiritual, onde estaria, então, a base para a prática da aplicação de óleos (os mais diversos) sobre enfermos e pessoas que desejam uma melhoria espiritual em suas vidas, como tem sido tão praticado no meio chamado evangélico em nossos dias? Certamente o que não é bíblico é de origem pagã. A Igreja Católica adquiriu práticas do paganismo romano com todo o seu misticismo. Rituais místicos de purificação foram adaptados e nessa adaptação foi criado o sacramento da crisma, palavra que tem origem no grego críein, derivada de crio, que significa ungir no sentido de consagrar para Deus como vimos anteriormente. É uma prática que tem origem no catolicismo onde ainda persistem as práticas do Antigo Testamento. CONCLUINDO A unção com óleo sagrado foi uma prática estabelecida por Deus, no Antigo Testamento, com a finalidade de consagração de elementos do culto que deveria ser, em tudo, santificado. Não é uma prática que tenha continuidade no Novo Testamento considerando que o culto do Antigo Testamento foi abolido na morte de Jesus Cristo com todos os seus elementos físicos, humanos e espirituais. O texto do Novo Testamento registra a unção com óleo como uma prática de aplicação de medicamento (o azeite de oliva era considerado um medicamento eficiente para várias enfermidades). Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento não existe qualquer ensinamento a respeito da utilização de óleo com a finalidade de cura milagrosa ou de obtenção de algum tipo de poder espiritual. As igrejas de Cristo que utilizam esta prática estão se assemelhando à Igreja Católica que introduziu a prática denominando-a de crisma. Pr Dinelcir Igreja Batista Memorial de Bangu www.ibmb.com.br

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Adoradores porem Incrédulos

Assim diz o SENHOR: Apresenta-te no pátio da casa do SENHOR e diz aos habitantes das cidades que vêm adorar na casa do SENHOR, todas as palavras que te mando que lhes fales; não omitas uma só palavra. Pode ser que ouçam e se convertam do seu mau caminho, para que desista do mal que planejo fazer-lhes por causa da maldade de suas ações” – Jeremias 26.2-3 (Almeida Século 21). Palavra dura, mas bem clara: eram adoradores, mas incrédulos. Quem vê a dimensão que o termo “adorador” tomou no cenário evangélico, pensa que o que de mais importante podemos fazer é cantar corinhos ingênuos, com cara de quem sofre crise de cálculo renal, isto é, fazendo ar de quem sente dor, franzindo testa, levantando mãos, revirando olhos. Isto é o cúmulo do status da espiritualidade evangélica: cantar letras fraquinhas em músicas capengas, com instrumentos banais, fazendo ar compungido. Os contemporâneos de Jeremias iam ao templo para adorar, mas eram incrédulos. Jogo de cena, voz tremelicada, gestual, nada disso é relevante, mas sim se a pessoa é convertida. Os adoradores do tempo de Jeremias não eram. Alguns me dirão que não devo duvidar da conversão de ninguém nem julgar ninguém. Devo e posso. Jesus autoriza: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16). Tanta gente dá bordoada em pastores, por que não posso duvidar de adoradores que não mostram na vida o que cantam? Por que sou obrigado a concordar com a idéia, falsa por sinal, de que cantar é sinal de espiritualidade? Desde quando ser adorador (cantar no culto) é sinal de conversão? O sinal de conversão são os frutos de uma vida regenerada. Estou cansado de pregar em igrejas onde os menestréis adoradores não levam Bíblia e saem do templo na hora da pregação. Estou cansado de ver tanta adoração na igreja evangélica brasileira e não ver vida séria. Estou chocado com a falta de espiritualidade dos evangélicos, apesar do excesso de adoradores. Eis um trecho do livro que estou preparando sobre o fruto do Espírito e onde cito o jornal inglês The Guardian: Veja-se esta notícia, profundamente chocante, que veio na coluna do jornalista Cláudio Humberto, que é publicada em vários jornais brasileiros e na Internet, e que extrai do “Jornal de Brasília”: “CONTAGEM MACABRA – Criticando a crescente violência no Rio, o jornal inglês The Guardian acredita que ‘milhares vão morrer antes dos Jogos Olímpicos de 2016’. E fala de um novo tipo de bandidos: os traficantes evangélicos”. Aonde chegamos! Traficantes evangélicos? Como pode acontecer isto? Onde está aquele povo que tinha tanta preocupação com a conduta que excluía das igrejas quem fumasse um simples cigarro ou bebesse um copo de cerveja? Como chegamos a ter traficantes em nossas igrejas? Que evangelho está sendo pregado e que atraiu estas pessoas? Como alguém pode ter fé em Cristo (um evangélico, antigamente, era quem cria e seguia a Jesus) e ser traficante, arruinando vidas, vendendo morte, destruindo lares? Onde está o fruto do Espírito na vida desses evangélicos? Adorar faz bem a quem adora. A pessoa se libera, solta energias, faz gestos, faz cara de sofredor, manifesta status (generalizou-se a idéia de que ser adorador é ser espiritual), mas o importante é retidão. Não é concebível haver evangélicos que sejam traficantes! Há tempos que pipocam notícias, esparsas e logo abafadas, de conivência de igrejas evangélicas com traficantes. Estes traficantes evangélicos devem adorar, mas não são convertidos. Precisamos de crentes convertidos. De servos rendidos a Cristo. De gente regenerada pelo Espírito. Pode se ser adorador sem ser convertido. Mas não se pode ser convertido sem ter frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8). Que tal menos alarido e mais frutos de convertidos? Extraído - Pr Isaltino Gomes Coelho Filho

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

“Bem-aventurados” no Livro de Salmos

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam. Bem-aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniqüidade e em cujo espírito não há dolo. Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança e não pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira. Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o SENHOR o livra no dia do mal. Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa—o teu santo templo. Subsista para sempre o seu nome e prospere enquanto resplandecer o sol; nele sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado. Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente. Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, Bem-aventurado o povo que conhece os vivas de júbilo, que anda, ó SENHOR, na luz da tua presença. Bem-aventurado o homem, SENHOR, a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei, Bem-aventurados os que guardam a retidão e o que pratica a justiça em todo tempo. Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR e se compraz nos seus mandamentos. Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR. Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Bem-aventurado o povo a quem assim sucede! Sim, bem-aventurado é o povo cujo Deus é o SENHOR! Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no SENHOR, seu Deus, Seja um bem-aventurado na perspectiva de Deus. Um forte abraço, Pr José Renildo PIB de Conceição do Jacuípe – Ba Texto baseado nos Salmos: 1.1; 2:12; 32:1; 32:2; 34:8; 40:4; 41:1; 65:4; 72:17; 84:4; 84:5; 89:15; 94:12; 106:3; 112:1; 119:1; 119:2; 128:1; 144:15; 146:5.

sábado, 7 de novembro de 2009

Culto Pentecostal de acordo com 1 Coríntios 14

Como pastor, tenho me preocupado com o que tenho visto e ouvido acerca de pseudo-cultos chamados de “Culto de Poder, Culto Alegres, Cultos com mais unção”, as demais formas que tem se estendido pelo Brasil e pelo mundo e até mesmo dentro de nossas igreja ditas BATISTAS ao qual por tradição tem buscado uma interpretação coerente acerca do que diz a Palavra de Deus. Homens que se dizem pastores, ou até mesmo homens que dizem já conhecer profundamente as escrituras, muitas vezes ordenados por outros que nem mesmo foram testados e aprovados, pelo menos não conforme preceitua as escrituras. Vale salientar que cada denominação, tem via de regra, testar obreiros antes de uma consagração, por entender que a responsabilidade é imensa, através do envio dos mesmos a seminários, a estarem à frente de congregações, passarem pela experiência de conduzir um rebanho, estar debaixo da autoridade de seu pastor e acima de tudo, estar debaixo da autoridade do sumo pastor Jesus Cristo. Como Batista, defendo que o obreiro precisa passar pelo crivo do estudo, após ter passado pelo crivo do chamado ministerial conforme 1 Timóteo 3.1,7 “1 Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja. 2 É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; 3 não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; 4 que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito; 5 pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?; 6 não neófito, para que não se ensoberbeça e venha a cair na condenação do Diabo. 7 Também é necessário que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em opróbrio, e no laço do Diabo.”), onde isso se faz necessário para que o novel pastor não venha a buscar re-interpretar conforme seu bel prazer ( o que infelizmente mais tem se visto ultimamente ) a Palavra de Deus. Pessoas sinceras me perguntam, nessa época de confusão doutrinária que antecede o Arrebatamento da Igreja, sobre o “cair no Espírito” e a “unção do riso”, entre outras coisas que vemos nos chamados cultos de poder. Elas desejam aprender a cada dia a sã doutrina. Questionam, não para tentar pôr este expoente em apuros, mas porque querem ter um posicionamento definido, seguro, sobre o assunto. O motivo da dúvida desses irmãos é compreensível, pois, quando estudamos sobre o avivamento de Azusa Street, em Los Angeles (1906), e acerca do início da Assembléia de Deus no Brasil (1911), são comuns as menções a momentos em que irmãos caíam sob o poder de Deus ou riam sem parar. Mas uma coisa é cair por não suportar a glória de Deus, e outra é ser lançado ao chão por um show-man. Uma coisa é alegrar-se na presença do Senhor, e outra é dar vazão a todo e qualquer tipo de manifestações, e ainda atribuí-las erroneamente ao Espírito Santo. Ademais, as experiências relacionadas com o Movimento Pentecostal, ainda que envolvam santos como William Seymour e Gunnar Vingren, não devem ser supervalorizadas, a ponto de as equipararmos às incontestáveis verdades da Bíblia ( 1 Co 4.6 “Ora, irmãos, estas coisas eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, de modo que nenhum de vós se ensoberbeça a favor de um contra outro.”; 1 Co 15.1,2 “1 Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, 2 pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão.”). Respeito esses pioneiros do pentecostalismo clássico, porém, ao escrever este artigo, minha fonte — primária, inquestionável, primacial, infalível, inerrante — de autoridade continua sendo a Palavra de Deus. A Bíblia Sagrada é um livro de princípios, e estes devem ser considerados antes de qualquer análise de manifestações, independentemente das pessoas nelas envolvidas. E há vários princípios relacionados com o culto genuinamente pentecostal em 1 Coríntios 14. O que diz a Palavra do Senhor em 1 Coríntios 14? Primeiro: O propósito principal da manifestação multiforme do Espírito em um culto coletivo é a edificação do povo de Deus (vv.4,5,12). Risos intermináveis, várias pessoas praticando a glossolalia ao mesmo tempo e supostas quedas de poder edificam em quê? Segundo: A faculdade do intelecto não pode ser desprezada no culto em que o Espírito Santo age (vv.15,20). Ninguém genuinamente usado pelo Espírito deixa de raciocinar normalmente, em um culto coletivo a Deus. Isso, claro, segundo a Palavra do Senhor. Terceiro: Um culto a Deus não deve levar os incrédulos a pensarem que os crentes estão loucos (v.23). O que pensam os não-crentes que assistem a "cultos" disponíveis no YouTube, nos quais vemos pessoas caindo ao chão, rindo sem parar, rosnando, latindo, mugindo, rugindo, uivando e rolando umas sobre as outras? Quarto: O culto coletivo deve ter ordem e decência; tudo deve ocorrer a seu tempo: louvor, exposição da Palavra, manifestações do Espírito (vv.26-28,40). Um culto que não tem ordem nem decência é dirigido pelo Espírito? Quinto: No culto genuinamente pentecostal deve haver julgamento, discernimento, a fim de se evitar falsificações (v.29). Leia também 1 Coríntios 2.15 e 1 João 4.1. Sexto: Haja vista o espírito do profeta estar sujeito ao próprio profeta, como vimos acima, é inadmissível que aconteçam manifestações consideradas do Espírito Santo em que pessoas fiquem fora de si (v.32). Sétimo: O Deus que se manifesta no culto coletivo não é Deus de confusão, senão de paz (v.33). Quando um show-man derruba pessoas carentes de uma bênção ou os seus supostos opositores com golpes de seu "paletó mágico", além da confusão que se instala no “culto”, tal atitude não é nada pacificadora. E quem recebe a glória, indutivamente, é o próprio show-man. Oitavo: Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, deve reconhecer os mandamentos do Senhor (v.37). O leitor está disposto a submeter-se aos mandamentos do Senhor? Ou é um daqueles que, irresponsavelmente, dizem: “Não podemos pôr Deus em uma caixinha. Ele sempre faz coisa nova”. Mas, então, para que serve a Bíblia, para nada? Não é ela a nossa fonte máxima de autoridade? Perderam as Escrituras a primazia? Não são mais a nossa regra de fé, de prática e de vida? Gálatas 1.8 perdeu a validade? Diante desses princípios, não há como considerar o “cair no Espírito” “o si-ira,si-ira” em demasia distribuição coletiva e a “unção do riso” como manifestações genuinamente do Espírito Santo! Não nos enganemos. O verdadeiro avivamento só ocorre quando há submissão à Palavra de Deus e ao Deus da Palavra. Em Cristo Jesus, Pr José Renildo PIB de Conceição do Jacuípe - Ba OPBB-Ba: 0469

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Só é "apostólica" igreja que tem apóstolo?

De uns anos para cá, a criativíssima (às vezes para o bem, outras para o mal) igreja evangélica brasileira inventou mais uma onda do momento: o ressurgimento do título “apóstolo” para alguns de seus líderes espirituais. O problema não está no uso do título, bíblico por sinal. Está na motivação com a qual alguns tem se apropriado dele. Outro problema é a idéia crescente em alguns segmentos evangélicos que só é “apostólica” a igreja que possui “apóstolos”. Certa vez li em um folder de determinado movimento evangélico que afirmava o seguinte: “Deus está restaurando a unção apostólica em sua Igreja”. Não é de admirar que o autor desta pérola tivesse o venerável título de “apóstolo”. Então me pus a refletir: “Como é que Deus pode estar restaurando algo em sua Igreja que nunca deixou de existir?”. Ora, alguém pode negar que a Igreja Cristã desde a época da Reforma não tem atuado na Terra através da autoridade apostólica? A mensagem da Igreja sempre foi apostólica. Sua missão sempre foi apostólica. A autoridade espiritual sobre ela sempre foi apostólica. Alguém teria coragem de afirmar que os primeiros missionários congregacionais, metodistas, presbiterianos, batistas e assembleianos que plantaram a semente do Evangelho no Brasil não o fizeram na “unção” apostólica? É óbvio que sim! A história comprova essa verdade! Tais missionários foram os primeiros apóstolos que entraram em nossa nação (aliás, os termos “missionário”, do latim, e “apóstolo”, do grego, possuem a mesma origem etimológica e significam “enviado”, “mensageiro”). Possuíam todas as credenciais do apostolado bíblico: desbravaram um campo não alcançado, pregaram o evangelho, fundaram igrejas, pastorearam as almas salvas, e operaram milagres no nome de Jesus. Ainda hoje existem milhares de apóstolos espalhados pelo mundo, missionários anônimos em terras distantes. Valentes do Senhor que não aparecem nos shows gospel, não ganham fortunas vendendo suas músicas ou mensagens, não andam de carro novo e mal tem o que comer, vestir ou tratar das doenças de sua família. Mas lá estão eles, evangelizando os perdidos, expandindo o Reino na implantação de igrejas, cuidando das ovelhas do Senhor, tudo isso por meio da pregação da Palavra e de sinais operados pelo poder do Espírito Santo. Tudo bem, se alguém de fato é apóstolo, divinamente chamado por Deus, não há problema algum em usar o título de “apóstolo”. Use o título não porque Deus “está restaurando essa unção na igreja”, mas, simplesmente, porque foi vocacionado por Deus para tal ministério. Todavia, esse obreiro deve apresentar todos os sinais de seu apostolado, conforme os mencionei acima. Mas não é isso que tenho observado em alguns dos chamados “apóstolos” dos nossos dias. Fico pensando o que faz alguém receber o título de apóstolo (ou se autoproclamar tal coisa) se não possui os sinais do apostolado (assim como faz a multidão de falsos pastores que deveria se envergonhar de envergar título tão nobre). Quantos “apóstolos” de hoje que possuem um ministério inexpressivo, infrutífero e que não transforma a vida de ninguém? A verdade nua e crua é que muitos ostentam o título “apóstolo” por mania de grandeza, soberba e problemas emocionais não resolvidos (repito, por estes mesmos motivos, assim também fazem os falsos pastores). Portanto, por favor, não venham me dizer que Deus está restaurando algo que nunca deixou de existir em sua Igreja. Isso é uma afronta à história da Igreja, e à inteligência do povo de Deus. O Senhor Deus não pode estar restaurando a “unção apostólica” na Igreja, pois tal unção nunca se ausentou dela desde os dias da Reforma. O que caiu historicamente em desuso na Igreja foi o título de “apóstolo”, não sua autoridade sobre ela. Em razão dessa verdade, convenhamos, seria muito mais sincero e verdadeiro da parte daqueles que espiritualizam o ressurgimento do título afirmar honestamente: “Olha pessoal, é o seguinte: o título e o ministério apostólicos são bíblicos, e, por isso, vamos usar o termo para os nossos ministros que tenham de fato tal chamado divino”. Ponto final. Agora, por favor, não nos venham com essa de que “Deus está restaurando a unção apostólica em sua Igreja”. Deus não tem nada a ver com isso. Espiritualizam o retorno do uso do título “apóstolo” e lhe conferem ares de “nova revelação de Deus”, com o propósito de enfiar goela abaixo do povo um título que, historicamente caiu em desuso na Igreja cristã. Creio convictamente que o que torna uma igreja “apostólica”, não é ter “apóstolos” na igreja, nem ter a expressão “apostólica” na placa denominacional, mas sim, duas coisas fundamentais: a) A vida de Cristo presente na igreja por meio do Espírito Santo; b) A mensagem que a igreja prega e vive, estando comprometida com ela. Sim, toda igreja formada por crentes regenerados pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus, que tenha a Bíblia como sua única regra de fé e prática, e esteja comprometida com o Evangelho de Cristo, essa igreja é verdadeiramente apostólica, pois seus membros regenerados estão “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 2:20). Nesses dias em que se vê uma busca desenfreada por títulos e posições por parte de obreiros cristãos, é preciso dizer que o mais importante não são os títulos eclesiásticos que possamos receber. O mais importante é o trabalho que realizamos. Paulo diz que “se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (I Tm 3:1). Vejam bem, a excelência não está no título, mas na obra que é almejada e realizada. Que a obra que realizamos em amor, servindo a Deus e aos homens, seja o elemento motivador que nos impulsiona a trabalhar para o divino Mestre. Desse modo, “logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” (I Pd 5:4). Fonte: Pr Marcelo Rodrigues - Igreja Evangélica Viver em Cristo

Julgar ou não julgar - Eis a questão!

A resposta para esta pergunta seria: Julgar, sim, mas com discernimento bíblico. Discernimento - é o ato ou processo de examinar cuidadosamente um assunto, antes de se fazer um julgamento. Na vida cristã, discernir é... “Identificar a verdadeira natureza de um espírito, doutrina, prática ou grupo; distinguir a verdade do erro, distinguir entre o erro crasso e o erro banal, distinguir entre o que é divino e o que é humano ou demoníaco”. (Robert M. Bowman, Jr. - “Orthodoxy and Heresy”, Baker Book House, 1992, p. 115) (1). As duas principais palavras gregas traduzidas como “discernimento” são “anakrino”, significando examinar ou julgar bem de perto, e “diakrino”, que significa fazer separação, investigar, examinar, etc. (2). Os cristãos devem crescer em discernimento espiritual - conforme a Bíblia ensina. Em Hebreus 5:12-14, lemos: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal”. Na 1 Tessalonicenses 5:19-22, Paulo ensina: “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal”. Conquanto admoestando os tessalonicenses a não extinguirem o Espírito e a não desprezarem o que ele ensinava, conforme mandato divino, Paulo os instruía a testar todas as coisas, retendo o bem. Quando um cristão prega ou ensina algo afirmando ter sido inspirado por Deus, não devemos desprezar este ensino, mas precisamos compará-lo com as Escrituras, a fim de ver se eles conferem com a Palavra de Deus. [Quando eles conferem, nós devemos recebê-lo como edificação e, se não conferem, que o consideremos heresia]. Lucas elogiou o povo de Beréia porque este conferia no Velho Testamento tudo que Paulo ensinava: “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. De sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não poucos homens.” (Atos 17:11-12). Como crescer em discernimento - Vejamos como um cristão pode crescer em discernimento: (a) - Confiar na orientação do Espírito Santo, o Qual habita em todo crente nascido de novo. (b) - Estudar a Palavra de Deus - a Bíblia - com espírito de humildade. O Espírito Santo - Não se pode esperar que uma pessoa que acabou de receber a Cristo como Salvador, tenha algum conhecimento de teologia bíblica. A Bíblia ensina que um pecador vai a Cristo porque o Espírito Santo o convidou, após tê-lo convencido do pecado, da justiça e do juízo, e o Seu convite foi aceito pelo pecador. Quando o pecador aceita Jesus Cristo como Salvador, ele é regenerado [nascendo de novo e se tornando uma nova criatura, segundo a 2 Coríntios 5:17]. Além de outras coisas boas, um cristão leva vantagem sobre um incrédulo, conforme Paulo ensina na 1 Coríntios 2:11-16: “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do SENHOR, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo”. A Bíblia - A Bíblia provê o modelo pelo qual todo ensino deve ser testado, conforme a 2 Timóteo 3:16-17: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. A confiança na orientação do Espírito Santo e na Palavra de Deus escrita deve manter o cristão com os olhos fixos no Salvador. [Do primeiro ao último livro da Bíblia, Cristo resplandece como a ESTRELA MAIOR]. Se os cristãos fossem confiar apenas na própria capacidade de entender as palavras da Escritura, isso não daria margem à orientação revelada pelo Espírito Santo nas riquezas de Sua Palavra Santa. Infelizmente, muitos cristãos deixam a responsabilidade de perscrutar a Bíblia, a fim de conseguirem um melhor discernimento da vontade divina para suas vidas, deixando essa orientação principalmente aos televangelistas e aos autores de livros [Os quais na maioria das vezes se tornam seus gurus], dos seus pastores e dos sites favoritos. Isto funciona como se o cristão estivesse sendo alimentado a colheradas, com leite desnatado, pois, conforme o apóstolo Pedro nos ensina: devemos abandonar “toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações”, e desejar “afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele... [irmos] crescendo”. (1 Pedro 2:1-2). Devemos aprender com outros cristãos, mas sempre comparando cuidadosamente, na Bíblia, tudo que eles nos ensinam, a fim de nos tornarmos cristãos maduros. Julgar ou não julgar, eis a questão - Vejamos o que é correto e o que é errado no julgamento, conforme o discernimento bíblico. Parecem claras para nós as palavras de Jesus: “não julgueis”, conforme Mateus 7:1. À primeira vista, parece que Jesus não apenas condena o nosso julgamento como Ele mesmo cai em contradição, julgando os Seus inimigos. Na igreja, tem havido muita controvérsia entre os que desejam fazer julgamentos e os que são contra esta prática. Um lado é acusado de “legalista” e o outro de “liberal” ou “abúlico”. Buscar a verdade sobre este assunto é essencial e uma boa pesquisa pode revelar que existem dois tipos de julgamento ensinados na Escritura. A um somos comandados; a outro somos proibidos. Alguém poderia citar Mateus 18:15-18, no qual Jesus estava usando o contexto judaico: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”. Na 1 Coríntios 5, Paulo censura os cristãos por não julgarem as coisas erradas de um modo correto. Um dos objetivos principais da igreja é alcançar a verdade. Existem igrejas [agora amplamente espalhadas por todo o Ocidente] em que os crentes são estimulados a gargalhar freneticamente, achando que este é um modo correto de adorar a Deus. Já nas igrejas que adotam a “Palavra da fé”, Deus é apresentado como um “Papai Bonachão”, pronto a atender todos os pedidos que Lhe chegam, como uma espécie de máquina automática de venda. Os carismáticos proclamam estar “cheios do Espírito Santo”, afirmando que pregam a verdade recebida diretamente de Deus [como se a Bíblia não fosse suficiente] e se comportam como aquele poema sem nexo, tão conhecido por todos nós: “Por que as máquinas de fogo são vermelhas?” Elas têm quatro rodas e oito homens. Quatro mais oito somam doze. Doze polegadas formam um governante. Governante é a Rainha Elizabeth. Ela navega pelos sete mares. Os sete mares têm peixes. Os peixes têm escamas (fins). Os finlandeses odeiam os russos, porque os russos são vermelhos... As máquinas de fogo também são vermelhas. É exatamente assim que certos grupos têm manejado a Bíblia... Vejamos os quatro pontos principais para essa falta de discernimento: O discernimento tem faltado nas igrejas pelas razões que seguem: 1. - Tornamo-nos antropocêntricos, preferindo ser conduzidos por nossas experiências. Muitos líderes cristãos procuram imitar a Disney World, a fim de atraírem grandes audiências. O pós-modernismo e a morte da razão permeiam não apenas o mundo lá fora, mas também nossas igrejas. 2. - Perdemos o conhecimento da Hermenêutica. Os televangelistas fabricam suas próprias interpretações subjetivas da Bíblia e dizem que têm o “conhecimento da revelação” e que “Deus lhes falou pessoalmente”, a fim de ficarem a salvo de um escrutínio e de uma avaliação bíblica. 3. - A igreja tem aceitado amplamente a filosofia de que “a verdade é relativa”. Muitos livros “evangélicos” têm sido publicados, argumentando contra a “moral absoluta” [um meio fácil de se tornarem “bestsellers”.] Há cinquenta anos, isto não teria sido permitido dentro do Cristianismo. Jay Adams foi quase um profeta, há 10 anos, quando escreveu o que vem a seguir, mas ninguém lhe deu atenção: “Conforme o pensamento continuum, o modo de pensamento ensinado fora da igreja (mas amplamente aceito dentro dela), toda idéia é nebulosa. Não existe certo ou errado, nem verdadeiro ou falso, mas apenas sombras do certo e do errado, do verdadeiro e do falso, difundidas através de um continuum. Os pólos deste continuum são estendidos até criarem asas e, para todos os propósitos práticos, tornam-se inatingíveis e, portanto, inúteis. Nada, portanto, é certo ou errado. Tudo é relativo e a maior parte é subjetiva”. Ele prossegue dizendo: “Esta é a razão por que a pregação bíblica, com a sua aguda antítese, tem conduzido muita gente ao erro, pois é difícil as mentes modernas aceitarem a mesma. Durante muito tempo, as instituições educacionais, os jornais, revistas, rádio, TV, etc., tem direcionado as pessoas ao pensamento continuum. Então o pensamento considerado antiético é descartado [como não sendo politicamente correto], como fanático ou coisa pior... Consequentemente, quando os próprios cristãos (todos eles afetados pelo ambiente) escutam expressões de visões antiéticas, logo se encontram discordando. Isso assim lhes parece porque eles acham que tudo evolui e, portanto, o discernimento fica relegado ao segundo plano”. (p. 30). Adams mostra que as distinções entre o puro e o impuro no Velho Testamento foram entregues por Deus, a fim de criar uma visão totalmente antiética da vida. O devocional “Dailey Bread”, de 13/11/1995, observa que os falsos mestres aquecem o seu caminho, faturando sobre as emoções dos cristãos: “Um falso mestre ensina o que apela aos nossos desejos: “E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pedro 2:1-2). Ele não usa na lapela um distintivo para admoestar as pessoas sobre suas mentiras. Ele se apresenta disfarçado como um legítimo representante da verdade. [Para ele, a mentira é uma verdade incubada]. Ele garante que vai enriquecer as pessoas [material e espiritualmente], mas aquelas que o seguem logo descobrem que foram enganadas”. A falta de discernimento na igreja, hoje em dia, está custando um alto preço. A igreja se transformou naquela planta da qual Jesus fala em Lucas 13:19: a qual “cresceu, e fez-se grande árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu”. Essas aves ali fizeram ninhos, sendo aves puras, impuras, ferozes ou gentis. [Assim é a igreja, onde se encontram todos os tipos de pecadores]. A liberdade do discernimento - Julgar ou não julgar, eis a questão. Mateus 7:15 deixa claro que podemos julgar as mensagens e os frutos dos falsos profetas. [e falsos apóstolos]. Mas Jesus diz em Mateus 7:1 p: “Não julgueis”, ou seja, que sejamos cuidadosos ao criticar alguém, sem conhecer os seus motivos, querendo direcionar o pecador à perdição eterna. Ora, Deus é o Juiz de todas as coisas. Além disso, podemos estar sendo duros demais com as pessoas que estamos julgando, exatamente em assuntos secundários. Tudo fica mais claro, quando verificamos que a palavra “julgar” pode ser usada de várias maneiras e em contextos diferentes. Entender o contexto é essencial para interpretar o tipo de julgamento do qual estamos falando. Richard Winter, em seu livrinho “Tortured Texts”, observa esta diferença: “Considerem antes a palavra “krino” [ou anakrino], traduzida como julgar em nosso texto. Numa concordância da BKJ podemos verificar que a palavra foi traduzida ... de 87 maneiras diferentes. Outros eruditos gregos dizem que ela significa: “chamar a atenção”, “concluir”, “decretar”, “estimar”, “determinar”, “pensar” e “sentenciar”. Com tantas significações diferentes, acho que seria seguro dizer que a palavra que o Senhor usou é mesmo: condenar ou fazer julgamento de alguém, de maneira maliciosa, enquanto o contexto mostra a responsabilidade de avaliar de modo apropriado uma coisa ou um ato de alguém” (pp.28/30). Vamos ilustrar o assunto. Olhamos uma casa e vemos as paredes descascadas e as janelas quebradas. Deveríamos condenar o proprietário do imóvel, taxando-o de preguiçoso e relaxado? Suponhamos que ele fosse fisicamente incapacitado ou pobre demais para cuidar dos reparos... Não deveríamos ser cuidadosos no julgamento, por não conhecermos a realidade dos fatos? Todo julgamento leva à condenação e Jesus condenou isto em Mateus 7:1. Os fariseus eram especialistas em condenar, baseados em regras fúteis e na tradição, em vez de se embasarem nas Escrituras. Pedro, Paulo e João fizeram uma porção de julgamentos, mas de maneira correta. Em quase cada epístola do Novo Testamento encontramos um julgamento sobre a apostasia. Na 2 Timóteo 4:10, Paulo julga e censura as heresias de dois companheiros dele - Demas e Crescente. Paulo fez uma porção de julgamentos, quando se tratava dos falsos mestres. Somos ordenados a combater as falsas doutrinas. Em João 7:24, disse Jesus: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. Encontrar um equilíbrio entre o legalismo e o misticismo é necessário para julgarmos corretamente. Na 1 Coríntios 6:3-5, Paulo exige que julguemos certos assuntos. Podemos julgar os pecados públicos e os grosseiros, mencionados nos versos 9-10. Mas, qualquer que seja o nosso julgamento, ele deve ser temperado com o desejo de restaurar o pecador e não de castigá-lo. O objetivo deve ser sempre a restauração. Podemos julgar as qualificações de um candidato ao ministério. Sobre um candidato a presbítero ou bispo, por exemplo, Paulo ensina quais devem ser as suas qualificações, conforme 1 Timóteo: “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?)” (1 Timóteo 3:1-5). Podemos julgar as qualificações, mas não as qualidades, pois estas somente Deus conhece. As qualidades são exteriores. Em João 21:16-17, Jesus disse: “Pedro, apascenta as minhas ovelhas”. Cuidar de uma ovelha é uma qualificação exterior. Podemos avaliar o sermão de um pregador e saber se ele pesquisou a Bíblia para escrevê-lo. A falta de preparo pode ser óbvia, assim como uma doutrina fraca ou falsa. Existem pregadores que usam o púlpito por amor a Cristo e às almas? SIM! Mas, muitos deles usam o púlpito para ganhar fama e enriquecer. Somente Deus pode conhecer o coração de cada um. Contudo, quando um pregador exibe um luxuoso estilo de vida, sem ter outro ofício, a não ser o de pregador, já dá para julgar [que ele não é tão santo como procura aparentar]. O Livro de Tito trata das qualificações exteriores, enquanto a 1 Timóteo 4:16 diz que o pastor deve ter cuidado de si mesmo, ou seja, deve estar cônscio de sua motivação interior e de suas qualidades interiores. Esta passagem pode nos ajudar a verificar a diferença entre as qualidades interiores (invisíveis aos nossos olhos) e as qualificações exteriores, as quais podem ser avaliadas. A palavra “krino”, conforme Campbell Morgan, pode mudar conforme o contexto em que aparece. Algumas vezes, podemos julgar e outras vezes não. Podemos censurar, mas antes precisamos investigar, quando o caso o exigir. Ele explica: “Os primeiros versos proíbem a condenação, mas o sexto verso insiste numa cuidadosa discriminação” (The Gospel According Matthews, p. 71). Ao ler esse texto, dentro do contexto, aprendemos que é lícito condenar os falsos mestres e o falso ensino [usando exclusivamente a Palavra de Deus como modelo]. Ficar tricotando a vida alheia é uma coisa... Mas remover os frutos podres é bem outra. Devemos ser corretos no discernimento, procurando sempre uma base na Palavra da Verdade e nos fatos, deixando as áreas desconhecidas da motivação a cargo do julgamento de Deus. A Obra do Discernimento - “Parece que os cristãos esqueceram a palavra ‘discernimento’ e que os encorajamentos devem ser feitos, conforme o ensino bíblico.” (“Young’s Analytical Concordance to the Bible”, p, 257). Devemos usar o discernimento na obra de Deus, estudando bastante a Sua Palavra Santa, pois, conforme Paulo ensina na 2 Timóteo 3:16-17: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. A. Carson observa: “Não vamos nos extraviar se nos aproximarmos da Bíblia com a mente humilde e nos devotarmos às suas verdades centrais. Gradualmente, iremos construir uma habilidade exegética e através do estudo sistemático e de uma determinação reverente e poderosa, poderemos nos tornar obreiros aprovados que manejam bem a Palavra da Verdade (2 Timóteo 2:15)”. (Exegetical Fallacies, p. 144). Devemos conhecer bem as regras. Vamos espanar a poeira dos livros textos de Hermenêutica, insistindo sobre a regra básica, que é a do contexto. [Os pregadores carismáticos são especialistas em retirar textos do contexto, para um pretexto às suas desmedidas ambições]. Devemos considerar o contexto e também examinar cada passagem ou verso, pois deixar de fazê-lo tem causado muitos erros na interpretação das Escrituras. Muitos pregadores preparam uma mensagem e depois ficam buscando versos que combinem com o texto da mesma. Isto não é pregar um texto, mas conseguir um pretexto à sua negligência... O contexto deve ser a chave da significação da mensagem. Como diz o próprio Hartill, “A Bíblia pode provar qualquer coisa, mas NÃO, quando estudada sob a luz do contexto”. Em seu clássico “Biblical Hermeneutics”, M. S. Terry insiste: “Muitas passagens bíblicas não podem, de modo algum, ser compreendidas sem o auxílio do contexto, pois muitas sentenças derivam todo o seu ponto de apoio da força de conexão (sic) na qual permanecem” (p. 219). Benny Hinn pode se exibir em frente a uma audiência de TV e declarar que “os egípcios não foram afogados no Mar Vermelho, mas esmagados por uma chuva de granizo.” (Praise the Lord, 14/07/94). Ele pode até voar do seu assento, mas ignora completamente o contexto de Êxodo 14, o qual fala claramente das águas voltando, e submergindo os carros do Faraó. Após declarar tal aberração, seus telespectadores fazem: “Oh!!!”, entusiasmados com a “nova verdade hinniana”. Foi retirando versos do contexto que os líderes da Palavra da Fé criaram o seu deus “Papai Bonachão”, sentado lá no céu, disposto a realizar todos os desejos dos crentes, quando estes lhe dão ordens decisivas. Ao fazerem isso, eles torcem as Escrituras “para a sua própria perdição” (2 Pedro 3:16). Outra regra é a da “Contextual Proximity”, a qual amplia a regra do contexto. Thomas Schmidt escreve: “Quanto mais nos distanciamos do contexto imediato, para buscar significações mais variadas, mais complicado se torna o processo. Por exemplo, um livro do VT pode esclarecer o que Paulo escreveu, mesmo tendo sido escrito centenas de anos antes. Porque podemos confiar que Paulo conhecia o VT e o considerava como autoridade...” [do mesmo modo como Jesus demonstrou, no Caminho de Emaús, Lucas 24:25-27: “E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras”.] Importante ainda é que possamos entender o mundo bíblico. Estudar as obras de Edersheim é de grande utilidade, neste caso. Como eram as palavras usadas e compreendidas, nos tempos da Bíblia, pelas pessoas em seu modo de vida e em sua cultura? Em seu livro “Orientalism in Bible Lands”, o Dr. Edwin Rice mostra as disparidades entre os hábitos orientais e ocidentais, concluindo que “nenhum estudo da Bíblia pode ser satisfatório sem que se tenha algum conhecimento da vida e do pensamento do Oriente”. (p.112). Uma boa Exegese exige interpretação do texto, para conhecer a sua significação. Conhecer as regras ajuda a nos tornarmos bons exegetas. Os que manejam a Palavra de Deus precisam conhecer algo sobre metáforas e semelhantes. Precisam estar familiarizados com a poesia e os paralelismos hebraicos. Uma boa Hermenêutica exige muito trabalho, sendo um dever de todo cristão que deseja dividir as Escrituras com integridade. Viver em Discernimento - Paulo falou sobre a transformação do nosso entendimento. (Romanos 12:2). Podemos ler e entender mais claramente as Escrituras, se nossa mente estiver em sintonia com Deus. Viver em discernimento é mais do que simplesmente conhecer as regras, mesmo com a importância que elas têm. Sem uma renovação da mente e uma sintonia com Cristo podemos nos tornar arrogantes e ásperos, demonstrando uma atitude de quem sabe tudo. Na 1 Pedro 3:15, lemos: “Antes, santificai ao SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós...” Esta é uma atitude de humilde confiança em Deus, santificando-O, antes de tudo, em nosso coração, o que Deus vai tornar possível, quando aprendermos a... (A) - Amar o Salvador e andar com Cristo, em constante comunhão com Ele, obedecendo as Suas Palavras [pelas quais seremos julgados, segundo João 12:48]. Devemos olhar somente para Jesus (Hebreus 12:1-2), pois é vital uma comunhão com o AUTOR DO LIVRO. (B) - Viver com o objetivo da eternidade como uma realidade presente, segundo nos é entregue pela Escritura Sagrada. Um discernimento correto é nosso privilégio e nosso direito. A obra de Deus merece esforço, mas a recompensa não será apenas o favor de Deus, mas a nossa alegria de enriquecer as vidas de outros cristãos. (1 Coríntios 15:58). Mary Schultze, 19/07/2009. Resumo e adaptação de dois artigos do Biblical Discernment Ministries: “What is Discernment” e “To Judge or Not to Judge - The Rights and Wrongs of Biblical Discernment”. " class="MsoNormal">Resumo e adaptação de dois artigos do Biblical Discernment Ministries: “What is Discernment” e “To Judge or Not to Judge - The Rights and Wrongs of Biblical Discernment”.